Memórias Póstumas de Brás Cubas · Machado de Assis
Capítulo CXXXIII: O princípio de Helvetius
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Estávamos no ponto em que o oficial de marinha me arrancou a confissão dos amores de Virgília, e aqui emendo eu o princípio de Helvetius — ou, por outra, explico-o. O meu interesse era calar; confirmar a suspeita de uma cousa antiga fora provocar algum ódio sopitado, dar origem a um escândalo, quando menos adquirir a reputação de indiscreto. Era esse o interesse; e entendendo-se o princípio de Helvetius* de um modo superficial, isso é o que devia ter feito. Mas eu já dei o motivo da indiscrição masculina; antes daquele interesse de segurança, havia outro, o do desvanecimento, que é mais íntimo, mais imediato: o primeiro era reflexivo, supunha um silogismo anterior; o segundo era espontâneo, instintivo, vinha das entranhas do sujeito; finalmente, o primeiro tinha o efeito remoto, o segundo, próximo. Conclusão: o princípio de Helvetius é verdadeiro no meu caso — a diferença é que não era o interesse aparente, mas o recôndito.
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* Em sua obra mais famosa, Do espírito, Claude Adrien Helvetius (1715-71) defende a ideia de que a ética pública tem uma base utilitária.
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