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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Machado de Assis

Capítulo CLII: A moeda de Vespasiano

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Tinham ido todos; só o meu carro esperava pelo dono. Acendi um charuto; afastei-me do cemitério. Não podia sacudir dos olhos a cerimônia do enterro, nem dos ouvidos, os soluços de Virgília. Os soluços, principalmente, tinham o som vago e misterioso de um problema. Virgília traíra o marido, com sinceridade, e agora chorava-o com sinceridade. Eis uma combinação difícil que não pude fazer em todo o trajeto; em casa, porém, apeando-me do carro, suspeitei que a combinação era possível, e até fácil. Meiga Natura! A taxa da dor é como a moeda de Vespasiano;* não cheira à origem, e tanto se colhe do mal como do bem. A moral repreenderá, porventura, a minha cúmplice; é o que te não importa, implacável amiga, uma vez que lhe recebeste pontualmente as lágrimas. Meiga, três vezes meiga Natura!

* * *

* Vespasiano (9-79 d.C.) foi imperador romano de 69 d.C. até a morte. Embora não cite Suetônio (Os doze césares, “Vespasiano”, 23,3), Machado provavelmente colhe nessa obra a anedota sobre a origem do dinheiro não lhe determinar o cheiro.

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