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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Machado de Assis

Capítulo LXXXVI: O mistério

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Serra abaixo, como eu a visse um pouco diferente, não sei se abatida ou outra cousa, perguntei-lhe o que tinha; calou-se, fez um gesto de enfado, de mal-estar, de fadiga; ateimei, ela disse-me que… Um fluido subtil percorreu todo o meu corpo: sensação forte, rápida, singular, que eu não chegarei jamais a fixar no papel. Travei-lhe das mãos, puxei-a levemente a mim, e beijei-a na testa, com uma delicadeza de zéfiro e uma gravidade de Abraão. Ela estremeceu, colheu-me a cabeça entre as palmas, fitou-me os olhos, depois afagou-me com um gesto maternal… Eis aí um mistério; deixemos ao leitor o tempo de decifrar este mistério.

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