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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Machado de Assis

Capítulo XCV: Flores de antanho

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Onde estão elas, as flores de antanho? Uma tarde, após algumas semanas de gestação, esboroou-se todo o edifício das minhas quimeras paternais. Foi-se o embrião, naquele ponto em que se não distingue Laplace de uma tartaruga. Tive a notícia por boca do Lobo Neves, que me deixou na sala e acompanhou o médico à alcova da frustrada mãe. Eu encostei-me à janela, a olhar para a chácara, onde verdejavam as laranjeiras sem flores. Onde iam elas, as flores de antanho?*

* * *

* A frase parece ecoar o refrão de um poema de François Villon, o primeiro dos grandes líricos franceses: “Mais où sont les neiges d’antan?” (“Mas onde estão as neves de antanho?”). O poema se intitula “Ballade des dames du temps jadis”.

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