Bem-vindo de volta

Entre com o seu email

Ao continuar você concorda com nossos Termos e Condições e Política de Privacidade

Esqueceu a senha? Resetar
Não tem conta? Criar conta

Criar conta

Crie sua conta para salvar seu progresso

Ao continuar você concorda com nossos Termos e Condições e Política de Privacidade

Quincas Borba · Machado de Assis

Capítulo CXXXII

132 de 200

Logo que Rubião dobrou a esquina da Rua das Mangueiras, Dona Tonica entrou e foi ao pai, que se estendera no canapé, para reler o velho Saint-Clair das Ilhas ou os Desterrados da Ilha da Barra[128]. Foi o primeiro romance que conheceu; o exemplar tinha mais de vinte anos; era toda a biblioteca do pai e da filha. Siqueira abriu o primeiro volume, e deitou os olhos ao começo do capítulo II, que já trazia de cor. Achava-lhe agora um sabor particular, por motivo dos seus recentes desgostos: “Enchei bem os vossos copos, exclamou Saint-Clair, e bebamos de uma vez; eis o brinde que vos proponho. À saúde dos bons e valentes oprimidos, e ao castigo dos seus opressores. Todos acompanharam Saint-Clair, e foi de roda a saúde”.

– Sabe de uma coisa, papai? Papai compra amanhã latas de conserva, ervilha, peixe, etc., e ficam guardadas. No dia em que ele aparecer para jantar, põe-se no fogo, é só aquecer, e daremos um jantarzinho melhor.

– Mas eu só tenho o dinheiro do teu vestido.

– O meu vestido? Compra-se no mês que vem, ou no outro. Eu espero.

– Mas não ficou ajustado?

– Desajusta-se; eu espero.

– E se não houver outro do mesmo preço?

– Há de haver; eu espero, papai.

[128] Saint-Clair das Ilhas – novela de tom fácil da inglesa Elisabeth Helme, de 1893.

Prefere ler com marcador de progresso ou baixar o livro?