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Quincas Borba · Machado de Assis

Capítulo CLXXIII

173 de 200

–Com que, o Teófilo está ministro! exclamou Carlos Maria.

E, depois de um instante:

– Creio que dará um bom ministro. Você queria ver-me também ministro?

– Se você gostasse, que remédio?

– De maneira que, por teu voto, não o era? perguntou Carlos Maria.

– Que hei de responder? pensou ela, escrutando o rosto do marido.

Ele, rindo:

– Confessa que me adorarias, ainda que eu fosse uma simples ordenança de ministro.

– Justamente! exclamou a moça, lançando-lhe os braços aos ombros.

Carlos Maria afagou-lhe os cabelos, e murmurou sério: – Bernadotte foi rei, e Bonaparte imperador. Você queria ser a rainha-mãe da Suécia?

Maria Benedita não entendeu a pergunta nem ele a explicou. Para explicá-la seria mister dizer que possivelmente trazia ela no seio um Bernadotte; mas esta suposição significava um desejo, e o desejo uma confissão de inferioridade. Carlos Maria espalmou outra vez sobre a cabeça da mulher, com um gesto que parecia dizer: “Maria, tu escolheste a melhor parte...” E ela pareceu entender o sentido daquele gesto.

– Sim! sim!

O marido sorriu e tornou à revista inglesa. Ela, encostada à poltrona, passava-lhe os dedos pelos cabelos, muito ao de leve e caladinha para não perturbá-lo. Ele ia lendo, lendo, lendo. Maria Benedita foi atenuando[134] a carícia, retirando os dedos aos poucos, até que saiu da sala, onde Carlos Maria continuou a ler um estudo de Sir Charles Little, M. P., sobre a famosa estatueta de Narciso, do Museu de Nápoles.

[134] Tornar menos intenso, ir parando.

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