Quincas Borba · Machado de Assis
Capítulo VII
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Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante[19]. Rubião acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para descansar; mas o enfermo, após alguns minutos, respondeu que não era nada. Perdera o costume de fazer discursos, é o que era. E, afastando com o gesto a pessoa de Rubião, a fim de poder encará-la sem esforço, empreendeu uma brilhante descrição do mundo e suas excelências. Misturou ideias próprias e alheias, imagens de toda sorte, idílicas, épicas, a tal ponto que Rubião perguntava a si mesmo como é que um homem, que ia morrer dali a dias, podia tratar tão galantemente aqueles negócios.
– Ande repousar um pouco.
Quincas Borba refletiu.
– Não, vou dar um passeio.
– Agora não; você está muito cansado.
– Qual! Passou.
Ergueu-se, e pôs paternalmente as mãos sobre os ombros de Rubião.
– Você é meu amigo?
– Que pergunta!
– Diga.
– Tanto ou mais do que este animal, respondeu Rubião, em um arroubo[20] de ternura.
Quincas Borba apertou-lhe as mãos.
– Bem.
[19] Que respira com dificuldade; cansado.
[20] Manifestação ou expressão súbita e de intenso êxtase, entusiasmo.
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