Quincas Borba · Machado de Assis
Capítulo XCVIII
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Rubião sentou-se na cama estremunhado, não reparou na letra do sobrescrito; abriu o bilhete, e leu:
“Ficamos ontem muito inquietos, depois que o senhor saiu. Cristiano não vai lá agora, porque acordou tarde, e tem de ir ao inspetor da alfândega. Mande-nos dizer se passou melhor. Lembranças de Maria Benedita e da
Sua amiga e obrigada
SOFIA.”
– Diga ao portador que espere.
Daí a vinte minutos a resposta chegou à mão do moleque que trouxera o bilhete; foi o próprio Rubião que lha entregou, perguntando-lhe como tinham passado as senhoras. Soube que bem; deu-lhe dez tostões, recomendando-lhe que, quando precisasse algum dinheiro, viesse procurá-lo. O rapaz, espantado, arregalou os olhos e prometeu tudo.
– Adeus! disse-lhe benevolente o Rubião.
E ficou parado, enquanto o portador descia os poucos degraus. Indo este a meio do jardim, ouviu bradar:
– Espera!
Voltou para acudir ao chamado; Rubião já tinha descido os degraus; foram um ao outro, e pararam, calados. Correram dois minutos, sem que Rubião abrisse a boca. Afinal, perguntou alguma coisa, – se as senhoras tinham passado bem. Era a mesma pergunta de há pouco; o criado confirmou a resposta. Depois, Rubião deixou vagar os olhos pelo jardim. As rosas e as margaridas estavam lindas e frescas, alguns cravos desabrochavam, outras flores e folhagens, begônias e trepadeiras, todo esse pequeno mundo parecia estender os olhos invisíveis ao Rubião, e bradar-lhe:
– Alma sem vigor, acaba de uma vez com o teu desejo; colhe-nos, manda-nos...
– Bem, disse finalmente Rubião; lembranças às senhoras. Não se esqueça do que lhe disse; precisando de mim, venha cá. Guardou a carta?
– Está aqui, sim, senhor.
– É melhor metê-la no bolso, mas olhe não machuque.
– Não machuco, não, senhor, retorquiu o criado acomodando a carta.
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