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Eu e Outras Poesias · Augusto dos Anjos

Capítulo I

24 de 29

Em vão flameja, rubro, ígneo, sangrento
O sol, e, fulvos, aos astrais desígnios,
Raios flamejam e fuzilam ígneos,
Nas chispas fulvas de um vulcão violento!

É tudo em vão! Atrás da luz dourada,
Negras, pompeiam (triste maldição!)
-- Asas de corvo pelo coração...
-- Crepúsculo fatal vindo do Nada!

Que importa o Sol! A Treva, a Sombra -- eis tudo!
E no meu peito -- condenada treva --
A sombra desce, e o meu pesar se eleva
E chora e sangra, mudo, mudo, mudo...

E há no mei peito -- ocaso nunca visto,
Martirizado porque nunca dorme
As Sete Chagas dum martírio enorme,
E os Sete Passos que magoaram Cristo!

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